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Distribuição 14 min de leitura 12 set 2026

Você também percebeu que a Booking e o Airbnb estão vendendo menos? Calma, você não está sozinho.

Os algoritmos das OTAs estão personalizando cada vez mais o que cada viajante vê. Entenda o que mudou, o que olhar antes de baixar o preço e por que o canal direto ficou ainda mais importante.

Você abriu o calendário da pousada, olhou as reservas e pensou: “ué… o que aconteceu?” A Booking, que antes trazia reservas com frequência, está mais parada. O Airbnb também. E talvez você tenha começado a pensar que o problema é a sua pousada.

Calma. Você não está sozinho. Mas antes de colocar a culpa na sua pousada, vale entender uma coisa que está acontecendo dentro das próprias plataformas: a forma como elas escolhem o que mostrar para cada viajante está mudando.

Booking.com e Airbnb utilizam sistemas de recomendação e algoritmos para organizar os resultados de busca. Esses sistemas analisam diferentes informações para decidir quais propriedades aparecem e em qual posição. E a inteligência artificial está entrando cada vez mais nessa experiência.

O Airbnb, por exemplo, afirma oficialmente que utiliza IA na busca para ajudar os hóspedes a encontrar acomodações de acordo com fatores como qualidade, popularidade, preço e localização. Em 2026, a empresa também anunciou uma evolução importante de sua busca, com rankings mais inteligentes, priorizando propriedades de maior qualidade e mais adequadas para cada viagem.

Não é mais simplesmente colocar sua pousada na OTA e esperar que ela apareça.

Mas então a Booking e o Airbnb estão vendendo menos?

Aqui precisamos separar duas coisas. Uma coisa é você perceber que as suas reservas vindas de uma OTA diminuíram. Outra é afirmar que a OTA inteira está vendendo menos. São coisas diferentes.

O que podemos afirmar é que tanto Booking.com quanto Airbnb utilizam sistemas que ordenam e personalizam os resultados de busca. Na Booking.com, o próprio site explica que seus resultados funcionam como um sistema de recomendação: a plataforma considera informações da pesquisa do viajante, interações anteriores, desempenho da propriedade, disponibilidade, preços, avaliações e outros fatores para determinar quais acomodações aparecem e como são ordenadas.

No Airbnb, a lógica é parecida. A plataforma informa que seu algoritmo considera, entre outros fatores, qualidade, popularidade, preço e localização. Também considera o comportamento do hóspede e pode personalizar os resultados de acordo com suas interações anteriores.

Minha pousada continua sendo competitiva dentro da lógica atual desse canal?

A OTA não mostra a mesma coisa para todo mundo

Imagine duas pessoas pesquisando “pousada em Arraial d’Ajuda”. Elas podem receber resultados diferentes. Por quê? Porque os sistemas de recomendação podem considerar:

  • datas
  • número de hóspedes
  • preço
  • disponibilidade
  • avaliações
  • comportamento de navegação
  • histórico de buscas
  • características da propriedade
  • localização
  • desempenho da acomodação

A Booking.com explica que seus sistemas podem considerar, inclusive, como outros viajantes com comportamentos semelhantes interagem com a plataforma. No Airbnb, o algoritmo também pode personalizar os resultados com base nas interações anteriores do hóspede.

Isso significa que não existe necessariamente uma única posição da sua pousada na busca. A posição pode depender de quem está pesquisando.

Então o algoritmo pode esconder minha pousada?

Não é exatamente assim. Não significa que a plataforma decidiu “não vamos mostrar essa pousada”. O que acontece é que o sistema precisa escolher quais propriedades são mais relevantes para aquela pesquisa.

Imagine que existam 500 propriedades disponíveis para determinada busca. A plataforma precisa organizar essas opções. E aí entra o algoritmo, tentando responder: “quais dessas propriedades têm mais chance de interessar a esse viajante?”

Na Booking.com, fatores como cliques, reservas, cancelamentos, avaliações, disponibilidade, preço, políticas e qualidade do conteúdo podem influenciar o posicionamento. No Airbnb, qualidade, popularidade, preço e localização têm influência importante na posição dos anúncios.

E onde entra a inteligência artificial?

As plataformas estão deixando de trabalhar apenas com regras simples e avançando para sistemas capazes de entender melhor o contexto e o comportamento do viajante.

O Airbnb afirma que já utiliza IA para ajudar os hóspedes a encontrar opções que façam sentido para suas necessidades e interesses. E a empresa anunciou para 2026 novas ferramentas de IA capazes de, por exemplo, resumir avaliações e ajudar o viajante a comparar acomodações.

A plataforma não está apenas mostrando anúncios. Ela está tentando entender o viajante e escolher o que apresentar para ele.

E o que isso muda para a pousada?

Muda bastante. Antes era muito comum pensar: “estou na Booking, então estou aparecendo.” Hoje, essa lógica é simplista. Você pode estar na Booking e, mesmo assim, não aparecer com a mesma força para todas as pesquisas. O mesmo vale para o Airbnb.

A pergunta passa a ser: o que o algoritmo está enxergando na minha pousada?

Seu preço continua competitivo?

Preço é um dos fatores importantes. O Airbnb informa que compara o preço da propriedade com outras opções semelhantes na região e considera essa informação no posicionamento dos anúncios. A Booking.com também considera informações relacionadas a preço e disponibilidade em seus sistemas de recomendação.

Isso significa que não basta olhar “minha diária é R$ 500”. Você precisa perguntar: R$ 500 em comparação com o quê? Se pousadas semelhantes estão vendendo por R$ 420, talvez sua tarifa esteja dificultando a competição. Se todas estão em R$ 500, a situação é outra. Preço precisa ser analisado dentro do mercado.

E suas avaliações?

Também importam. Uma pousada com excelentes avaliações transmite um sinal diferente de uma propriedade com poucas avaliações ou avaliações ruins.

No Airbnb, qualidade e popularidade são fatores importantes para o posicionamento: o sistema considera avaliações, engajamento dos hóspedes e outros sinais de desempenho. Na Booking.com, avaliações, cliques, reservas e cancelamentos também entram entre os fatores utilizados pelos sistemas de recomendação.

A experiência do hóspede também influencia a distribuição.

E as fotos?

Sim, elas também importam. Pense como um viajante: você abre uma lista com 20 pousadas. Uma tem fotos bonitas, profissionais e mostra exatamente como são os quartos. Outra tem três fotos escuras tiradas há cinco anos. Qual delas você provavelmente vai clicar?

As plataformas sabem disso. O Airbnb afirma que fotos e vídeos de qualidade ajudam a chamar a atenção e melhorar o engajamento, o que pode contribuir para o posicionamento. Então, às vezes, o problema não está na quantidade de reservas — pode estar antes dela, no número de pessoas que veem sua pousada e decidem clicar.

E disponibilidade?

Esse é um ponto que muitos hoteleiros esquecem. Imagine que alguém procure uma pousada para 10 a 13 de outubro. Você tem disponibilidade, mas só abre reservas para algumas datas, trabalha com mínimo de noites ou fecha determinados períodos. Sua pousada pode deixar de ser uma opção interessante para determinadas pesquisas.

O Airbnb, por exemplo, informa que a disponibilidade influencia a possibilidade de uma propriedade aparecer para determinadas buscas. Estar cadastrado não significa estar disponível para todas as oportunidades.

Então o problema não é necessariamente a Booking

Quando as reservas diminuem, é muito fácil pensar “a Booking está ruim” ou “o Airbnb não está entregando mais”. Pode ser. Mas também pode existir outra explicação.

O mercado mudou. O comportamento do viajante mudou. A concorrência mudou. Os preços mudaram. E os algoritmos das plataformas também evoluíram. Por isso, antes de abandonar um canal, é preciso entender o que está acontecendo com a sua propriedade dentro dele.

E se as OTAs estiverem vendendo menos para você?

Não significa necessariamente que você precisa colocar mais dinheiro na OTA. Não precisa correr e gerar uma promoção. Talvez você precise olhar para a distribuição como um todo. Por exemplo:

Booking ▼ caindo
Airbnb ▼ caindo
Site direto ▲ subindo
Google ▲ subindo
B2B ▲ subindo

Nesse cenário, a queda de uma OTA pode estar sendo compensada por outro canal. Por isso, olhar apenas para a Booking ou para o Airbnb pode dar uma visão errada do negócio. A pergunta deveria ser: como está a minha distribuição como um todo?

O perigo de depender de um único canal

Durante muito tempo, muitas pousadas construíram praticamente toda a sua venda em cima das OTAs. E isso funcionou — até que alguma coisa mudou. Uma alteração de algoritmo, uma mudança no comportamento do viajante. De repente, o volume de reservas cai. E o proprietário percebe: “eu não controlo esse canal.”

E realmente não controla. Você controla sua pousada, sua tarifa, seu site e sua experiência. Mas não controla o algoritmo da Booking. Nem o do Airbnb.

Por isso, o canal direto ficou ainda mais importante

Isso não significa abandonar as OTAs — muito pelo contrário, elas continuam sendo canais importantes de distribuição. A questão é não depender exclusivamente delas. O hotel precisa construir uma estrutura em que diferentes canais trabalhem juntos:

OTAs Site oficial Google Hotels Google Business Profile B2B Redes sociais Outros canais

Cada canal tem uma função. E o objetivo é fazer com que a propriedade tenha mais de um caminho até a reserva.

O que você deveria olhar agora?

Se você percebeu uma queda nas reservas de Booking ou Airbnb, não comece simplesmente baixando o preço. Primeiro, olhe:

01

Sua posição nas buscas

Sua pousada ainda aparece nas principais pesquisas do seu destino?

02

Sua taxa de conversão

As pessoas estão vendo seu anúncio e reservando, ou vendo e saindo?

03

Seu preço

Como sua tarifa está em relação às propriedades concorrentes?

04

Sua disponibilidade

Você está realmente disponível para as datas que as pessoas pesquisam?

05

Suas avaliações

A experiência dos seus hóspedes está ajudando ou prejudicando sua distribuição?

06

Seu conteúdo

Fotos, descrição, informações e diferenciais estão claros?

07

Sua distribuição

Se uma OTA cair amanhã, de onde vêm suas próximas reservas?

Essa última pergunta é talvez a mais importante.

A distribuição hoteleira está ficando mais inteligente

A grande mudança não é simplesmente “agora existe IA”. A mudança é que as plataformas estão ficando cada vez melhores em personalizar o que cada viajante vê.

Booking.com e Airbnb já utilizam sistemas de recomendação que analisam diferentes sinais para ordenar e personalizar resultados. E o Airbnb está explicitamente ampliando o uso de IA em busca, comparação, recomendações e outras etapas da jornada.

Não basta estar online. Você precisa ser relevante.

Calma, você não está sozinho

Se a Booking ou o Airbnb estão trazendo menos reservas para sua pousada, não tire uma conclusão antes de olhar os dados. O que mudou é que a distribuição ficou mais complexa. E quanto mais os canais usam dados, personalização e inteligência artificial para decidir o que mostrar, mais importante fica entender como sua propriedade está sendo distribuída.

Porque você não precisa controlar o algoritmo. Mas precisa entender o jogo que está jogando.

Perguntas frequentes

A IA está fazendo a Booking e o Airbnb venderem menos?

Não é possível afirmar isso de forma geral. O que as próprias plataformas confirmam é que utilizam algoritmos de recomendação e, no caso do Airbnb, IA em recursos de busca e personalização.

Por que minha pousada pode ter menos reservas mesmo continuando na Booking?

Porque estar cadastrada não garante a mesma exposição. O posicionamento considera diferentes fatores, como preço, disponibilidade, avaliações, desempenho e características da propriedade.

O algoritmo da Booking é igual para todo mundo?

Não necessariamente. A Booking informa que seus sistemas podem considerar informações sobre a pesquisa, interações anteriores e outros sinais para personalizar recomendações.

O Airbnb também personaliza os resultados?

Sim. O Airbnb informa que utiliza informações sobre as interações do hóspede com a plataforma para personalizar e ordenar resultados.

Então devo sair da Booking e do Airbnb?

Não. A questão não é abandonar as OTAs. É evitar que elas sejam o único caminho até a reserva.

O que uma pousada deve fazer diante dessa mudança?

Acompanhar sua distribuição como um todo, analisar desempenho, preço, disponibilidade, conteúdo, avaliações e conversão e, ao mesmo tempo, fortalecer outros canais, principalmente o canal direto.

Conclusão

A inteligência artificial está entrando na busca, na recomendação e na forma como o viajante encontra e compara hospedagens. E isso muda a distribuição. Você não precisa abandonar as OTAs, mas também não deveria depender exclusivamente delas.

Porque no fim das contas, a pergunta mais importante não é “quanto a Booking está vendendo para mim?”, e sim: quantos caminhos eu tenho hoje para chegar até o meu próximo hóspede?

Distribuição não é estar em uma plataforma. É construir uma jornada de venda que não dependa de um único caminho.

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Quantos caminhos você tem até o próximo hóspede?

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